Mudanças na dieta são mais importantes que medicamentos
- Ísis Morari
- 23 de abr. de 2024
- 2 min de leitura
Atualizado: 13 de dez. de 2024

Um estudo lançado recentemente na revista The Lancet Gastroenterology and Hepatology, concluiu que a dieta traz mais resultados na síndrome do intestino irritável(SII) que as medicações normalmente utilizadas.
As questões relacionadas ao intestino vem tomando cada vez mais notoriedade nos últimos anos. Justamente por termos uma vasta rede de industrializados, consumo excessivo de açúcar, aditivos alimentares, como também o aumento de estresse crônico.
A síndrome do intestino irritável é uma patologia intestinal funcional crônica, apresentando quadros de dor ou desconforto abdominal, alteração da frequência e/ou do formato das fezes. A fisiopatologia é pouco compreendida até o momento.
Este ensaio clínico randomizado, unicêntrico, simples-cego e controlado foi conduzido no ambulatório do Hospital Universitário Sahlgrenska, Gotemburgo, Suécia. Participantes que possuíam SII moderada a grave (Roma IV) e nenhuma outra doença grave ou alergia alimentar foi atribuída. A média de idade do estudo foi de 38 anos, sendo 241 mulheres e 53 homens, em que foram divididos em 3 grupos.
Um grupo recebeu uma dieta pobre em oligossacarídeos fermentáveis, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis (FODMAPs), o segundo grupo recebeu uma dieta tradicional recomendado pelo Instituto Nacional de Saúde e Excelência em Cuidados de Saúde do Reino Unido (doravante a dieta LFTD), e o terceiro grupo fez uma dieta otimizada em fibras, pobre em carboidratos totais e rica em proteínas e gordura (doravante a dieta pobre em carboidratos), ou tratamento médico otimizado com base sobre o sintoma predominante da SII. Os participantes não sabiam qual dieta estavam seguindo durante 4 semanas.
Concluiu-se ao final do estudo que: a dieta baixa em carboidrato(low-CARB) foi eficiente em reduzir os sintomas quase igual a dieta LOW-FODMAPS, porém com menos restrições (71% contra 76% de resposta), enquanto o grupo medicado teve uma melhora de apenas 58%. Após a intervenção, os participantes foram orientados a continuar por 6 meses nas dietas. Além daqueles que já consumiam medicações, continuaram com o seguimento dos mesmos.
Intervenções dietéticas podem ser considerados como um tratamento inicial para pacientes com SII. Mas deve-se ter um acompanhamento de nutricionista para elaboração da dieta e médico para prescrever medicações necessárias ao sucesso do tratamento.
References
Sanna Nybacka, PhD et al.
A low FODMAP diet plus traditional dietary advice versus a low-carbohydrate diet versus pharmacological treatment in irritable bowel syndrome (CARBIS): a single-centre, single-blind, randomised controlled trial